Ex-prefeito, vice e aliados são indiciados por suspeita de compra de votos com combustível em MG
19/05/2026
(Foto: Reprodução) Isper Salim Curi e Renato José de Paula, prefeito e vice-prefeito de Santa Vitória, são indiciados
Prefeitura de Santa Vitória/Divulgação
O ex-prefeito de Santa Vitória (MG), Isper Salim Curi, o ex-vice prefeito, Renato José de Paula, e outros aliados políticos e empresários foram indiciados pela Polícia Civil em investigação sobre compra de votos com combustível nas eleições municipais de 2020.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi concluído e aponta ainda prática de Caixa 2, falsidade ideológica eleitoral e associação criminosa. Ao todo, sete pessoas foram indiciadas. Os nomes dos demais investigados não foram divulgados pela corporação.
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Na época, Salim Curi disputava a reeleição para a Prefeitura de Santa Vitória e venceu o pleito com 7.635 votos. O g1 entrou em contato com os dois indiciados e não obteve retorno até a última atualização da reportagem.
A investigação aponta que o grupo teria se associado para fraudar as eleições municipais de 2020 por meio da troca de combustível por votos, além da suposta manipulação da prestação de contas da campanha com prática do chamado 'Caixa 2' e inserção de informações falsas em documentos contábeis.
"As investigações demonstraram, como provaram, o cometimento de crimes de fraude eleitoral por meio de compra de votos, bem como a falsificação de documentos contábeis por meio de falsidade ideológica. Foram iniciadas sete pessoas pelos crimes de formação de quadrilha, compra de votos e falsidade ideológica eleitoral", comentou o delegado Leonardo Spínola.
O inquérito foi encaminhado à Justiça Eleitoral na última quarta-feira (13) e tramita na 308ª Zona Eleitoral de Santa Vitória.
Investigação de crimes eleitorais começou em 2020
O caso teve início durante a campanha eleitoral de 2020, após denúncias de compra de votos em Santa Vitória. Na época, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria Eleitoral da comarca, realizou a operação 'Jogo Limpo' para investigar o fornecimento irregular de vantagens a eleitores em troca de apoio político.
Durante a operação, foram apreendidos computadores, HDs externos e planilhas contábeis em postos de combustíveis, empresas e com investigados. Segundo o MPMG, as apurações envolviam pessoas ligadas a campanhas eleitorais que disputavam a Prefeitura da cidade.
Cassação da chapa dois anos depois
Em 2022, Isper Salim Curi e Renato José de Paula tiveram os mandatos cassados pela Justiça Eleitoral em primeira instância. Na decisão, o juiz eleitoral apontou abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio, que é prática conhecida como compra de votos.
Segundo a sentença, a chapa teria fornecido mais de R$ 26 mil em combustíveis para eleitores que participaram de uma carreata realizada em outubro de 2020. As investigações iniciais apontaram que ao menos 553 veículos foram abastecidos em postos da cidade durante o evento político.
Na época, os dois negaram irregularidades e informaram que recorreriam da decisão ao TRE-MG.
Em nota ao g1, o tribunal informou que a condenação foi anulada em setembro de 2023 após reconhecimento de cerceamento de defesa. O caso retornou à Zona Eleitoral de Santa Vitória, que proferiu nova sentença de cassação em agosto de 2024.
No entanto, a decisão também foi anulada pelo TRE-MG em março de 2025, novamente por cerceamento de defesa. Atualmente, o processo de cassação segue em tramitação na comarca eleitoral de Santa Vitória e ainda não há nova sentença.
O delegado de Polícia Civil informou que a investigação criminal foi concluída com diversos elementos novos, considerando as provas periciais e análises contábeis, resultando no indiciamento do ex-prefeito e mais sete pessoas pelo esquema.
"Dentro dos iniciados estão o ex-prefeito da época que era candidato à reeleição, seu candidato a vice, secretários municipais à época, proprietários de postos, bem como coordenadores de campanha", comentou Spínola.
Ainda segundo o delegado, as penas previstas para os crimes investigados podem chegar a 12 anos de reclusão.
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