Suspeito de matar estudante de psicologia é transferido do Presídio de Divinópolis para BH
19/02/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito de matar estudante de psicologia é preso; veja o que se sabe sobre o caso
Ítalo da Silva, de 43 anos, suspeito de matar a estudante Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23, foi transferido do Presídio de Divinópolis para o Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em BH, na quarta-feira (18), segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Vanessa foi assassinada após sair do estágio, em uma unidade do Sine em Juatuba, na Grande BH. Ela retornaria, naquele momento para Pará de Minas, onde morava, quando foi abordada e levada a força para o local onde foi violentada e morta (relembre o caso mais abaixo).
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Ítalo foi localizado pela polícia em Carmo do Cajuru enquanto tentava fugir de trem. No dia 13 de fevereiro passou por audiência de custódia, e a justiça definiu a continuidade da prisão e a transferência imediata dele para Belo Horizonte. Entretanto, a mudança só ocorreu na quarta-feira desta semana.
O histórico de Ítalo
suspeito de matar Vanessa Lara de Pará de Minas
Policia Milita / divulgações
No ano passado, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ítalo Jefferson cumpria pena em regime fechado na Comarca de Patrocínio pelos crimes de tráfico de drogas, furto, roubo e estupro.
Em setembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar um habeas corpus, desclassificou o crime de tráfico para uso de drogas, o que resultou na extinção da pena de oito anos de reclusão já aplicada.
Em dezembro do ano passado, a Justiça de Patrocínio recalculou a pena e concedeu progressão para o regime semiaberto domiciliar, com expedição de alvará de soltura cumprido em 20 de dezembro de 2025.
Em janeiro, o processo foi encaminhado à Comarca de Juatuba, após o sentenciado indicar endereço na cidade. A Polícia Militar comunicou o crime cometido contra Vanessa e a justiça determinou novamente o regime fechado e expediu mandado de prisão.
Suspeito de matar estudante de psicologia na Grande BH é preso em Carmo do Cajuru
Relembre o caso
Vanessa morava em Pará de Minas e estagiava em Juatuba, no Sistema Nacional de Emprego. Ela foi vista pela última vez na tarde de segunda-feira (9), após sair do trabalho.
Diante do desaparecimento, o irmão, Matheus Oliveira, iniciou buscas por conta própria. O corpo foi encontrado no dia seguinte, com auxílio do drone de um fotógrafo da cidade, em uma área de mata no trajeto que ela fazia para voltar para casa. Vanessa foi sepultada na quarta-feira (11).
Vanessa Lara estava desaparecida desde que saiu de Pará de Minas de ônibus para trabalhar em Juatuba
Reprodução/Redes sociais
A perícia apontou sinais de violência sexual e estrangulamento, o que direcionou as investigações. O serviço de inteligência apontou Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos, que já tinha condenações por estupro, tráfico de drogas, furto e roubo como o principal suspeito.
Segundo o boletim de ocorrência, parentes informaram à PM que ele teria confessado o crime por telefone e dito que estava em Belo Horizonte. Eles relataram ainda que o homem chegou em casa sujo de barro, com arranhões e manchas de sangue, e pediu dinheiro para viajar à capital.
Três dias após o desaparecimento, a Polícia Militar recebeu informação de que o suspeito estaria em um vagão de trem na região Centro-Oeste do estado. Ele foi localizado e preso em Carmo do Cajuru, a cerca de 70 quilômetros de Juatuba.
Suspeito de matar Vanessa Lara de Oliveira foi preso em Carmo do Cajuru
Reprodução/Redes Sociais
Imagens da vítima caminhando na rua
Circuitos de segurança registraram imagens de Vanessa em Juatuba, horas antes de desaparecer. No primeiro vídeo, ela é vista saindo da sede do Sistema Nacional de Emprego (Sine).
Em seguida, Vanessa em ruas da cidade. Primeiro, ela passa por um local movimentado. Depois, em um local de pouco movimento. Veja abaixo.
Vídeo mostra Vanessa deixando trabalho momentos antes de desaparecer
Mapa mostra local onde Vanessa foi encontrada morta, em Juatuba.
Arte g1
Reconhecimento do corpo, despedida e enterro
Vanessa e o irmão Matheus
Reprodução/Redes Sociais
A dor de reconhecer a própria irmã no Instituto Médico Legal (IML) é uma imagem que Matheus Oliveira, de 31 anos, afirma que jamais sairá da memória.
“A pior coisa que eu já fiz na minha vida foi ter que reconhecer minha irmã no IML. Essa imagem perdura nos meus olhos. Foi uma cena que eu não desejo ninguém a ver, nem ao meu pior inimigo”, desabafou.
Segundo o irmão, há indícios de que Vanessa tenha tentado resistir à violência.
“Pelos sinais, ela lutou até o último minuto. Ela foi agredida e estava muito machucada”, completou.
A morte precoce deixou a família em estado de choque e com sentimentos que misturam dor profunda e indignação.
“Hoje meu sentimento é dor, angústia e impunidade. Éramos só eu, minha irmã e minha mãe em casa, agora não tem ela mais”, desabafou o irmão.
O corpo de Vanessa foi sepultado na quarta-feira no Cemitério Municipal, no distrito de Antunes, em Igaratinga, no Centro-Oeste de Minas.
Uma jovem que sonhava em cuidar de pessoas
Descrita como dócil, empática e muito querida, Vanessa estava no 7º período de Psicologia e tinha o sonho de ajudar pessoas que enfrentavam dificuldades emocionais.
“Ela era extremamente dócil, amada e tinha muitos amigos. Adorava ouvir as pessoas e queria trabalhar ajudando quem passava por problemas psicológicos”, contou o irmão.
A jovem estagiava em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e também auxiliava pessoas na busca por emprego. Mesmo longe, fazia questão de comparecer presencialmente para atender e orientar quem precisava.
“Ela amava o que fazia e não colocava dificuldade em ir trabalhar e ajudar outras pessoas a conseguirem oportunidades de trabalho. Ela sempre falava que se pudesse ajudar aprovaria todos nos processos de seleção. Ela só pensava em ajudar”, disse Matheus.
Vanessa Lara de Oliveira era moradora de Pará de Minas
Reprodução/Redes Sociais
Vanessa também foi lembrada por amigos e professores como uma jovem tranquila, comprometida e estudiosa.
Conforme o coordenador do curso de psicologia, Éser Pacheco, a estudante era responsável e dedicada aos estudos, mantinha uma rotina focada na formação acadêmica e sonhava em atuar na área de Recursos Humanos.
Éser contou ainda que havia ministrado aula para a turma de Vanessa recentemente, quando discutiram temas como feminicídio e violência na sociedade contemporânea, e que, diante da comoção entre os estudantes, o curso decidiu suspender temporariamente as aulas da turma.
A professora Marina Saraiva, que acompanhou a estudante durante um semestre, relembrou a trajetória dela e destacou a dedicação nas aulas e no estágio no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-IJ), onde atuou com crianças e adolescentes com transtornos mentais severos. Segundo Marina, colegas e profissionais do serviço ficaram profundamente abalados com a notícia da morte.
"Está todo mundo chocado”, afirmou.
A docente disse que os relatos mais frequentes sobre Vanessa a descreviam como uma jovem 'boazinha demais, tranquila e meiga', com um jeito discreto que marcava todos que conviveram com ela.
Emocionada, Marina disse que ainda tenta lidar com o impacto da perda e lamentou a interrupção precoce da trajetória da aluna.
“A gente vê uma menina ter a vida interrompida assim, com tantos sonhos e planos. É realmente chocante”, declarou.
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